15 de jan de 2012

Ninguém está sempre comigo...


Acontece

Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.

Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.

Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.

Que entrevista espaçosa e especial!


Pablo Neruda
(Últimos Poemas)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este espaço é seu, com ou sem chapéu.
Obrigada pela visita.
Volte sempre!!!

Real Time Analytics